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As "buzzwords" mais amadas
Os Executivos começam a adorar
o "soft", conclui o estudo "2007 Management
Tools and Trends" da consultora norte-americana
Bain & Co
Jorge Nascimento Rodrigues,
Julho 2007
A valorização da cultura empresarial,
a preocupação com o ambiente e a aposta
na inovação (como mais importante do que
a redução de custos) são hoje atitudes
quase generalizadas entre os 1221 executivos que responderam
ao inquérito da consultora Bain & Company,
o que a leva concluir que o mundo dos gestores passou
a estar mais sensível ao "soft".
O estudo sobre ferramentas e tendências de gestão
considera, ainda, como sinal dessa viragem, o facto
da gestão do conhecimento ("knowledge management",
no original) ter entrado para o TOP 10 das ferramentas
de management mais usadas em 2006, apesar de gerar grande
insatisfação quanto aos resultados.
Números
90% acham que a cultura empresarial é tão
importante como a estratégia para o sucesso do
negócio
80% acreditam que a inovação é
mais importante que a redução de custos
numa perspectiva de longo prazo
75% acha que a inovação ganha inclusive
com a colaboração com gente de fora da
empresa, inclusive com concorrentes
70% consideram produtos e práticas amigas do
ambiente como parte fundamental da sua missão
50% consideram que trabalhar coma a China e a Índia
será vital para o sucesso nos próximos
cinco anos |
Rankings
TOP das mais usadas e admiradas
Planeamento estratégico
CRM
Competências centrais
Segmentação do cliente
Benchmarking |
As ferramentas mais usadas e cujos resultados
simultaneamente dão maior satisfação
aos gestores formam um top 5 das mais amadas: planeamento
estratégico (apesar da sua "queda" em
desgraça já ter sido vaticinada por Henry
Mintzberg desde 1994), gestão da relação
com o cliente ("customer relationship management",
na designação original em inglês),
competências centrais (um conceito criado por Hamel
e Prahalad nos anos 1990), segmentação do
próprio cliente (o que é diferente de segmentação
de mercado) e o "benchmarking" (comparação
com outros para aplicar boas práticas).
Grande desilusão
A maior desilusão, neste inquérito,
parece ser o "outsourcing" (subcontratação),
que caiu da 3ª para a 7ª posição
na utilização, em relação
ao inquérito realizado em 2004 e publicado em
2005. O "offshoring" seguiu a mesma tendência
de queda, passando da 7ª para a 16ª posição
no grau de satisfação.
Algumas das ferramentas que nos anos 1990 fizeram "manchetes"
nas revistas especializadas, como "The Balanced
Scorecard" (avaliação de um conjunto
de indicadores de performance empresarial, um método
criado por Norton e Kaplan em 1993), satisfação
do cliente, alianças estratégicas, gestão
da cadeia de fornecimentos (SCM, acrónimo para
"supply chain management"), TQM (acrónimo
para Total Quality Management, gestão da qualidade
total, que continua a ter o seu feudo na Ásia-Pacífico)
e Six Sigma (outra abordagem de qualidade, muito popularizada
depois das aplicações na General Electric)
deixaram de estar nos 10 lugares cimeiros. Curiosamente,
a reengenharia de processos está, ainda, no TOP
10, o que revela uma capacidade de resiliência
notável.
O número médio de ferramentas de gestão
usadas subiu para 15 (em relação a 13
no "survey" anterior), acima da média
histórica de 13 desde o primeiro inquérito
em 1993. O ano de maior euforia na utilização
foi 2002. Os utilizadores de maior número de
ferramentas são actualmente os asiáticos
e os que usam um menor número os latino-americanos.
Os sectores menos utilizadores são a construção,
o retalho, a indústria de manufactura, a distribuição
e logística , e os serviços, que estão
abaixo da média geral. Os mais ávidos
são, pelo contrário, os produtos de consumo
(os executivos chegam a usar 17 ferramentas em média),
a química, metais e minérios, a área
de saúde, e a farmacêutica e biotecnologia.
O inquérito realizado pela consultora norte-americana
vai na sua 11ª edição, ouvindo uma
elite de gestores à escala mundial ligados a
empresas com mais de 600 milhões de dólares
de facturação, incluindo este ano um português.
Neste último "survey" foram inquiridos
os gostos em relação a 25 ferramentas
de gestão, algumas pela primeira vez, como os
blogues empresariais, as operações "magras"
(sem desperdícios), o recurso a aquisições
e fusões, e os centros de partilha de serviços.
Sinal dos tempos, 37% dos inquiridos são oriundos
da região Ásia-Pacífico, o maior
contingente. O estudo plurianual, avalia o que os executivos
estão a usar ou deixam de usar, o que os não
satisfaz e frusta as expectativas a nível das
ferramentas de gestão, e quais as tendências
de management que mais adoram ou estão a cair
em descrédito.
Quatro perguntas a Barbara Bilodeau
Responsável pelo estudo da Bain & Co
P: O "outsourcing" e o "offshoring"
parecem ter deixado de ser atraentes para os executivos?
R: O que os executivos nos têm vindo a dizer
é que têm descoberto que os benefícios
reais do uso dessas duas ferramentas de gestão
estão longe das altas expectativas iniciais.
Pode haver várias razões para isto:
os processos podem exigir mais atenção
da gestão do que o previsto, as poupanças
se calhar são mais pequenas do que o esperado,
a rotação de trabalhadores também,
ou a performance dos colaboradores menor.
P: As aquisições deixaram de estar
na primeira linha? Agora a prioridade é o
crescimento orgânico?
R: Verificamos, de facto, neste inquérito,
que as aquisições e fusões
tiveram uma alta taxa de abandono como ferramenta
a usar. Mas isso não significa insatisfação.
A razão provável - particularmente
em pequenas e médias empresas - é
que concluíram recentemente alguma fusão
ou aquisição, e agora estão
no período da sua digestão, antes
de equacionar novas decisões. No caso específico
dos respondentes europeus, verificámos inclusive
que planeiam avançar para aquisições
fora de fronteiras nos próximos cinco anos.
P: O "The Balanced Scorecard" e a reengenharia
de processos, que mostram altas taxas de abandono
entre 2004 e 2006, vão passar à história?
R: De modo algum. Sofrem é de sobre-utilização.
A sua popularidade pode ter-se tornado negativa,
encorajando as firmas a usar tais ferramentas, mesmo
se não se adequam ao caso, ou sendo usadas
de um modo errado. Se posso dar um conselho: não
use uma ferramenta só porque ouviu dizer
que tem sido um sucesso. Avalie bem, primeiro, os
seus pontos fortes e fracos, se se adequa à
cultura da sua empresa, e o que necessita de pôr
em marcha para resultar.
P: Porque razão a gestão do conhecimento
continua a defraudar expectativas?
R: Quando as empresas implementam esses sistemas,
muitas vezes não criam processos, nem sabem
gerir suficientemente a mudança requerida.
Os próprios empregados são muito relutantes.
Pensam poder perder valor se partilharem o saber
que têm. Sem um sistema de recompensa e de
transparência para superar estas relutâncias,
as hipóteses de desapontamento com a aplicação
dessa ferramenta são, na verdade, grandes. |
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