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Sair à rua para inovar
Intimidade com os clientes, particularmente
com os fãs da marca, é a nova tendência.
O caso do iPod é considerado o melhor exemplo
da inovação de fora-para-dentro, segundo
mais um guru que veio do frio, o sueco Stefan Engeseth,
autor de ONE-A Consumer Revolution for Business
Jorge
Nascimento Rodrigues,
editor de gurusonline.tv, com Stefan
Engeseth, Agosto 2006 Ilustração por Paulo Buchinho
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o livro ONE na Amazon.com
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o livro anterior Detective Marketing
Sítio
da consultora de Stefan
O maior erro das empresas que até têm
marcas mundialmente adoradas é sofrerem da doença
da "gestão mantendo o distanciamento"
em vez da gestão com interacção
total com os seus fãs. Esta é a tese do
sueco Stefan Engeseth, 41 anos (em 2006), o mais recente
dos gurus de management que vieram do frio, depois dos
dois "carecas" Kjell Nordstrom e Jonas Ridderstrale,
da Stokholm School of Economics.
O melhor modelo de gerar inovação
é "sair para a rua" e dar gás
às ideias e sugestões dos consumidores
viciados na sua marca, diz Stefan. Os teóricos
já inventaram "buzzwords" para esta
opção: "open innovation" (inovação
aberta) ou inovação no sentido "outside-in"
(de fora-para-dentro). Os exemplos multiplicam-se, diz
aquele especialista que dirige o sítio www.detectivemarketing.com
(a partir do livro que publicou em 2001 com o mesmo
título) e que lançou no ano passado um
livro estranhamente intitulado One (tradução:
a empresa e o cliente devem ser um só), inspirado
numa célebre música de 1991 do grupo musical
U2. Mas são excepções, lamenta
o autor.
«A chave para gerar real criatividade, particularmente
em firmas que já perderam o elã inicial
de paixão e impulsividade, é abrir a empresa
aos impulsos dos consumidores»
"A chave para gerar real criatividade, particularmente
em firmas que já perderam o elã inicial
de paixão e impulsividade, é abrir a empresa
aos impulsos dos consumidores", afirmou-nos Stefan
Engeseth, que vive em Estocolmo e faz gáudio
de ser filho de uma cabeleireira de homens, onde percebeu,
desde as fraldas, o que é "customer relationship"
(uma frase pomposa que se tornou moda nos últimos
anos). O pecado principal é que a maioria das
marcas são "baseadas na transacção
mais do que na relação", mesmo quando
gastam milhões em marketing e publicidade. A
maioria do mundo empresarial tem uma ideia-feita, acusa
Stefan logo na abertura do livro: "Pensa que a
única coisa com que o cliente pode contribuir
é com dinheiro". E os laboratórios
de I&D, do alto dos seus doutoramentos e palmarés,
olham o utilizador como um estorvo ignorante, alguém
que "só deve participar na fase final",
no consumo.
Abismo maldito
O caso mais mediático, citado por Stefan, é
o do iPod, o pequenino aparelho que hoje enche os bolsos
da Apple (diz-se que representa 49% das vendas) e lhe
permitiu levantar a cabeça de novo com 100 iPod
vendidos por minuto em todo o mundo. O Ipod apareceu
em Outubro de 2001 e vai fazer em breve cinco aninhos.
Permitiu à Apple de Steve Jobs chegar a uma cotação
bolsista de 85,16 dólares por acção
em 13 de Janeiro passado (2006), um recorde na história
da empresa. Mas, entretanto, a cotação
baixou significativamente (em 4 de Agosto de 2006 tinha
fechado a $68,16) e alguns analistas argumentam que
o efeito iPod, cinco anos depois, já está
a passar.
"Ao contrário do que poderá pensar,
foi uma sugestão que veio de um fã, Tony
Fadell, um inventor nato e serial entrepreneur. Conta
a pequena história que Tony tentou avançar
com a sua própria empresa em torno da ideia mas
falhou no financiamento e depois abordou a RealNetworks,
mas largou-a ao fim de seis semanas. Então foi
ter com a Apple, que adorava e onde já tinha
trabalhado numa das empresas do grupo nos anos 1990.
Mas teve de aceitar a situação de contratado
em 2001 para se conseguir fazer ouvir lá dentro",
diz-nos Stefan, sublinhando que esses "detalhes"
não vêm no sítio oficial da companhia
da maçã. Fadell acabou por ser recrutado
para liderar um grupo especial para o projecto e hoje
é vice-presidente sénior da área
de engenharia de "hardware".
A consultar na Web: Sítio
de Tony Fadell | Sítio
de Isamu Sanada
O êxito do produto, que revolucionou o conceito
do áudio digital, deveu-se, refere Stefan, porque
"preencheu um fosso maldito que existe sempre entre
o nível de paixão pelas marcas e o que
os produtos reais oferecem". Esse abismo, em geral,
é compreendido em termos muitos concretos pelos
utilizadores-fãs, pelo que estes devem ser a
fonte onde beber a inspiração e inclusive
uma boa alternativa - ou complemento, num sentido mais
benigno - à I&D feita nos laboratórios
internos. Stefan não acha, no entanto, que a
Apple já tenha "institucionalizado"
esta estratégia - um dos fãs mais mediáticos
da maçã, o japonês Isamu Sanada,
que por sua conta e risco desenha toneladas de sugestões,
"nunca sequer recebeu um telefonema da Apple",
como confessou numa entrevista a Stefan.
A visitar na Web:
Nudie
Há, no entanto, companhias que se aproximam
deste paradigma do "one" (o poder da fusão
empresa-fãs) para inovar. Stefan cita algumas
bem conhecidas do público europeu, como a Virgin,
a Absolute Vodka ou a Harley-Davidson. Mas encontra
uma profunda inspiração na Nudie (que
quer dizer nu, tal como na Natureza) criada em 2003
por um quarentão australiano fanático
de sumos frescos Tim Pethick, hoje já considerada
uma das dez melhores marcas "aussie" (australianas).
Stefan roubou a Tim - que, entretanto, saiu da gestão
diária da firma e se tornou um guru ele próprio
- um menu de máximas para os empresários
inovadores, de que as primeiras cinco são: "A
marca é dos consumidores; pense e actue como
um consumidor; crie uma marca transparente; envolva-se
num diálogo contínuo com o consumidor;
eles [os clientes] que decidam o que querem de nós".
| As 5 máximas do australiano Tim Pethick |
|---|
· A marca é dos consumidores;
· pense e actue como um consumidor;
· crie uma marca transparente;
· envolva-se num diálogo contínuo com
o consumidor;
· eles [os clientes] que decidam o que querem de nós". |
O próprio Stefan faz 10 sugestões de
ideias, de borla, a empresas como a Apple, Nokia, Ikea,
Amazon, Ryanair e Dell, algumas das que ele próprio
é fã, e polvilha o livro com alguns desenhos
dessas ideias. E que reacções teve? Responde:
"Algum feedback excelente e alguns convites. Mas
é inacreditável, depois, os que cancelam,
à última, as reuniões - não
lhe vou dizer quais, claro. Pelo menos houve uma predisposição
para ouvir. O problema é outro: estarão
dispostos a mudar a forma como inovam?".
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