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Navegando numa época de
"semi-globalização"
Modere o entusiasmo sobre as facilidades da globalização.
Em qualquer decisão de internacionalização
analise sempre seriamente as diferenças que vai
encontrar. O conselho do guru da estratégia Ghemawat
Review de Jorge
Nassimento Rodrigues, Fevereiro 2008
NOVO LIVRO DE GHEMAWAT:
Redefining Global Strategy
A globalização é um dos maiores
mitos actuais, diz o indiano Pankaj Ghemawat (LINKAR
www.ghemawat.org), professor da Harvard Business School,
considerado um dos gurus da estratégia global
nos dias de hoje.
Os escritores 'globalistas' têm vendido a ideia
de que o Planeta é "plano", de que
a internacionalização de produtos e serviços
é um passeio triunfal por uma carpete vermelha,
que saltar as fronteiras com o negócio às
costas é algo trivial.
Os "néones" resplandecentes com as
marcas mundiais em qualquer cidade nos quatro cantos
do globo ou as fotografias que cada um coloca no seu
blogue pessoal sobre as férias "lá
fora" empurram-nos para não acertar uma
se tivéssemos de responder a um inquérito
de rua sobre o tema da globalização.
Perguntas simples, como qual é o peso do investimento
estrangeiro no investimento total, ou qual é
a percentagem das exportações no PIB mundial,
ou ainda a parte de turistas estrangeiros no movimento
turístico total, tenderiam, provavelmente, a
receber respostas inflacionadas (veja as respostas certas
em caixa).
Visão exagerada
Isso ficou comprovado com uma sondagem
mundial a gestores e executivos realizada pela revista
Harvard Business Review no seu sítio na Web.
Ghemawat refere, no seu blogue (LINKAR http://discussionleader.hbsp.com/ghenawat)
nessa revista, que se observou "uma tendência
sistemática para sobrestimar os níveis
de globalização" na ordem do triplo
do peso real.
O professor criou mesmo uma "lei" - a maioria
dos níveis de globalização num
conjunto vasto de indicadores é inferior a 10%,
com excepção do peso das exportações
de mercadorias e serviços no PIB mundial, que
ronda os 27% (e se limparmos a dupla-contagem, desceria
para os 20%). Neste último caso, em vinte e cinco
anos, o peso subiu apenas sete pontos percentuais. E
Ghemawat estima que, mesmo em 2030, altura em que o
processo de formação do sistema mundial
já estará acima de 80%, aquela percentagem
não deverá ultrapassar os 35%.
As barreiras reais
O aviso aos gestores é que "o mundo não
só está muito longe de uma integração
completa, como provavelmente permanecerá assim
nas próximas décadas". Por isso,
ele fala, tecnicamente, de uma situação
de "semi-globalização".
Diversas barreiras podem ser identificadas no terreno:
intervenção política dos governos
manipulando as regras da concorrência, elevado
nível de falta de transparência na maioria
dos regimes do mundo, gestão da imigração,
existência de carteis em funcionamento em recursos
estratégicos, sistemas de extracção
de rendas bem arreigados no tecido económico,
diferenças culturais ancestrais e economias locais
específicas.
Em virtude destas advertências, Ghemawat publicou
recentemente o livro 'Redefining Global Strategy', em
que apresenta uma matriz estratégica baseada
num triplo A: adaptação, agregação
e arbitragem. A essência da sua abordagem é
que os gestores têm de perceber e dominar as diferenças
reais e não pensar num mundo idealizado, se pretendem
efectivamente internacionalizar os seus negócios.
27%
É a percentagem das exportações
globais de mercadorias e serviços em relação
ao PIB mundial
10%
É a parte dos turistas estrangeiros no total
mundial do movimento turístico
9%
É o peso do investimento directo estrangeiro
na formação bruta de capital fixo mundial
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