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A revolução dos escritórios
Ecológicos, civicamente responsáveis
e "relacionais" é a nova tendência
no imobiliário empresarial estudada pelo especialista
norte-americano Charles Lockwood. Uma lufada de ar fresco
nas estratégias urbanas
Diálogo de Jorge
Nascimento Rodrigues, editor de Gurusonline.tv,
Agosto de 2006, com Charles Lockwood
Tendências
alta | Charlie Profile |
Casos de estudo
Afirmou-se nos últimos cinco anos um novo conceito
estratégico de desenvolvimento urbano baseado
na fixação de escritórios ecológica
e civicamente responsáveis na malha da cidade.
Emergiu "uma verdadeira revolução
no imobiliário empresarial", afirma Charles
Lockwood, um consultor norte-americano sedeado em Los
Angeles e Nova Iorque, especializado nas tendências
do imobiliário nos últimos vinte anos.
Os novos edifícios de escritórios desta
vaga conjugam três características inovadoras:
1- são "verdes" com impacto significativo
na factura energética e no saneamento;
2- são "relacionais" privilegiando
os espaços de interacção informal
e formal entre os empregados;
3- e são civicamente responsáveis, apostando
na requalificação de espaços citadinos
em declínio e numa estratégia de mobilidade
inteligente articulada com as políticas de transporte
público e de redução do consumo
de combustíveis e de emissão de gases
poluentes.
«Até ao ano 2000, os decisores encaravam
este tipo de edifícios como experiências
interessantes mas impensáveis em termos de rentabilidade.
Desde então, houve uma mudança radical
de pensamento», refere-nos Lockwood. Os CEO e
as administrações, e os próprios
promotores imobiliários, estão a mudar
de ideias por quatro razões bem prosaicas:
1- a poupança anual em diversos itens;
2- o marketing internacional, nacional e local obtido;
3- a própria valorização do imóvel
em virtude da atribuição da pontuação
"verde";
4- e o aumento da produtividade dos empregados.
E tudo isto é conseguido com menos de 1% de
custos adicionais em relação a um orçamento
de um edifício tradicional, segundo estudos nos
EUA da promotora Turner Construction (2005 Turner Green Building Survey),
junto de 150 edifícios de escritórios
deste tipo.
«Tudo isto é conseguido
com menos de 1% de custos adicionais em relação
a um orçamento de um edifício tradicional»
Um "survey" da McGraw-Hill Construction,
divulgado em Maio de 2006, prognostica que a vaga do
"green building" atingirá um ponto
de viragem em 2007. Segundo alguns cálculos,
no final do ano 6% da construção não-residêncial
dos EUA será "green" - contra 1% em
2000.
LINKS RECOMENDADOS
Relatório da McGraw-Hill Construction de 2006
Artigo de análise do Relatório de 2006
Há muitos países na dianteira desta revolução.
O Reino Unido foi pioneiro no lançamento do BREEAM (Building Research Establishment's Environmental Assessment Method por iniciativa
governamental.
No ano 2000 foi a vez de ser criado nos EUA o US Green Building Council - uma
parceria público-privada - que lançou
o sistema de pontuação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED),
de que já está a ser preparada uma terceira
versão. O Governo Federal dos Estados Unidos,
bem como 15 Estados dos EUA e 46 cidades já exigem
que os edifícios públicos cumpram com
o LEED. Quatro Estados dos EUA e 17 cidades oferecem
incentivos para a adesão às normas por
parte dos edifícios privados.
Em 2002 foi a vez da Austrália lançar
o seu programa e até final do ano será
a vez da Índia. Desde 1999 que funciona um World
Green Building Council que já conta com dez países
como membros (Austrália, Brasil, Canadá,
Espanha, Emirados Árabes Unidos, EUA, Índia,
Japão, México e Taiwan) e mais três
na calha (Alemanha, China, Emirados Árabes Unidos
e Reino Unido). Em Outubro realizará mais um
Congresso Internacional em Monterrey, no México.
LINKS RECOMENDADOS
World Green Building Council
Congresso Internacional de Outubro do WGBC de 2006
Artigo "Building the Green Way", Harvard Business Review, June 2006 edition
O artigo "Building the Green Way", da autoria
de Lockwood, publicado na revista Harvard Business Review
(edição de Junho 2006) trouxe um inesperado
eco na comunidade do management municipal.
A filosofia Inside Out
Um dos casos emblemáticos desta vaga é
a nova sede envidraçada de 12 andares da Genzyme,
uma multinacional da biotecnologia, que apostou na requalificação
de uma zona de Cambridge (em frente de Boston), dando
um pontapé de saída para a nova área
de expansão do "cluster" de biotecnologia.
Desde há dois anos que o perfil da Kendall Square,
onde hoje se localiza uma parte das firmas e instituições
de biotecnologia da região, mudou radicalmente.
O edifício da Genzyme obteve o galardão
de platina (o mais elevado) segundo as normas LEED,
em que pesaram resultados como a redução
em 34% do uso de água e o corte na factura energética
de 42% em relação ao padrão dos
edifícios tradicionais. Aspectos como 18 espaços
verdes dentro do edifício e no telhado, corredores,
passadeiras e esquinas pensadas para a interacção
pessoal, cafetaria no último andar (um 12º
andar com vista para Boston), uso da luz natural por
75% dos postos de trabalho, gestão da comutação
dos empregados (fomento do uso de passe para o metro,
uso de "car-pools", uso de um serviço
de veículos híbridos partilhados e de
bicicletas, uso de um "shutlle" entre os locais
da empresa), telhado com sistema de gestão do
calor e luz, entre muitos outros, valeram a qualificação.
Foi, também, considerado um dos 10 Projectos
Verdes de 2004 pelo American Institute of Architects.
O conceito básico definido pela firma de arquitectura
envolvida - a alemã Behnisch, Behnisch and Partner
- resumiu-se na ideia "inside-out", ou seja
partir do desenho de um espaço interior virado
para o relacionamento e o bem-estar dos utilizadores,
como se se tratasse de uma pequenina cidade, no que,
depois, teve uma mão da DEGW (nascida em Londres),
especializada em design de ambientes de trabalho.
Na classificação "platina"
do edifício da Genzyme os itens individuais que
foram mais pontuados relacionaram-se com o seguinte:
optimização da gestão energética
(os ganhos na factura a que já nos referimos)
e uso de materiais com baixo nível de emissões.
Outros edifícios desta vaga que vão estar
em destaque são a sede do Bank of America em
Manhattan, Nova Iorque, e o Ministério da Ciência
em Beijing, na China. A nível de espaços
urbanos requalificados com uma estratégia "green"
global é citado o caso de South Waterfront, em
Portland, no Orégão, nos EUA. Portland
é considerada uma das cidades-modelo actuais
de estratégias urbanas inovadoras.
Tendências em alta
Revalorização da aposta imobiliária
de escritórios dentro das cidades em zonas a
requalificar. Crítica do excesso de fuga dos
parques de escritório para os arredores rurais
e de habitat natural
A vaga de construir "eco-frendly" está
a passar dos edifícios isolados para projectos
globais de requalificação de espaços
urbanos
Novo conceito "inside-out" de design e
organização dos interiores privilegiando
o relacionamento informal e formal entre os empregados
Concepção de raiz de edifícios
"verdes" com impacto significativo na factura
energética e de saneamento e na produtividade
e saúde dos utilizadores
Aposta na articulação da implantação
dos edifícios com as políticas de mobilidade
assentes em soluções de transporte público
ou de comutação organizada
Construir "verde" valoriza financeiramente
o activo imobiliário, bem como é uma alavanca
de marketing. É uma enorme janela de oportunidade
para o "branding"
Charlie Profile
Charles Lockwood pode ser consultado em charleslockwood@verizon.net
A sua coluna "The Green Quotient" na revista
Urban Land é um ponto de referência sobre
tendências no sector. Urban Land é editada
pelo Urban Land Institute
Lockwood foi autor de obras marcantes como Bricks and
Brownstone (1972), Manhattan Moves Uptown (1976) e Suddenly
San Francisco:The Early Years of an Instant City (1978).
Agora, na região de Los Angeles, dedica-se à
consultoria ambiental aplicada ao imobiliário
e à cultura empresarial. Colabora também
com o World Business Council for Sustainable Development.
O seu sítio na web pode ser consultado em www.charleslockwood.com
Casos de estudo
Edifício da Genzyme em Cambridge/Boston, usado
por mais de 900 pessoas desde 2004.
Um "tour" virtual está disponível.
Edifício do Bank of America, localizado numa
esquina do Bryant Park, na parte central de Manhattan,
Nova Iorque (ainda em construção; data
de inauguração em 2008). Informação
disponível aqui.
Complexo do South Waterfront em Portland, com a âncora
no campus de biociências da Universidade de Ciências
da Saúde do Orégão - OHSU, Oregon
Health and Science University (inaugura em Novembro
de 2006). Informação disponível aqui.
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