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Não roube o CEO ao vizinho
Um estudo da consultora Booz Allen
Hamilton sobre a "dança" de directores-gerais
nas 2500 maiores empresas cotadas do mundo revela algumas
conclusões no mínimo surpreendentes. Pela
voz de Chuck Lucier
Chuck Lucier em directo: «O cenário mais
provável é que o CEO 'roubado' terá
uma performance pior que a média, além
de que gera uma inflação de custos para
todas as partes e conduz a uma disrupção
desnecessária com um efeito negativo a nível
regional ou mesmo nacional. É um jogo de perdas
para ambas as partes»
Jorge
Nascimento Rodrigues,
editor de gurusonline.tv, com Chuck
Lucier, vice-presidente da BAH
Artigo na revista Strategy+Business
da BAH: «CEO
Succession 2005: The crest of the wave»
5 Regras de Ouro
· Não roube o CEO ao vizinho; todos perdem com
essa "pesca furtiva"
· "Outsider" para CEO só por mandato
de cinco anos
· Não promova o ex-CEO a Presidente e um braço
direito dele a CEO, pior a emenda que o soneto
· Não condicione o CEO "outsider" com
um ex-CEO "chutado" para cima, para Presidente
· Recrutar o novo CEO por ter experiência de CEO
anterior não é garantia de sucesso
A vida não está fácil para os
directores-gerais das grandes empresas cotadas. Os CEO
despedidos por má "performance" na
última década multiplicaram por seis e
atingiram na Europa em 2004 a percentagem recorde de
42% dos casos de substituições. Nos Estados
Unidos o crescimento deste segmento de despedidos com
justa causa foi ligeiramente menor e teve o seu ano
mais critico em 2005, quando se começaram a sentir
os efeitos da Lei Sarbannes-Oxley e das novas regras
nas bolsas (Nasdaq, NYSE, ASE). Em média, 5%
dos CEO em funções em todo o mundo foram,
no ano passado, corridos por má "performance"
e essa percentagem quintuplicou desde 1995. Em geral,
a sucessão dos CEO - por razões de má
gestão, fusões e aquisições,
reforma ou saída já planeada - acelerou
na última década nos EUA, Europa e Ásia
(com excepção do Japão, que tem
uma cultura peculiar neste campo). Estas conclusões
estatísticas ressaltam do estudo anual do movimento
de directores-gerais - "CEO Succession" -
realizado pela consultora norte-americana Booz Allen
Hamilton (BAH) junto das 2500 maiores empresas cotadas
do mundo. Os resultados do estudo de 2005 foram agora
divulgados e permitem uma comparação decenal
(ver quadros).
Nova dinâmica de "governança"
A vigilância dos administradores e dos accionistas
aumentou drasticamente em função de um
conjunto de regras de boa "governança"
empresarial que vieram para ficar, diz o estudo. "Uma
nova dinâmica começou. As novas regras
de governação que exigem performance por
parte dos CEO são boas para a economia",
sublinhou-nos Chuck Lucier, vice-presidente emérito
da BAH e responsável pelo estudo. A situação
mais apertada para os CEO que ocorre no Velho Continente
deriva da "Europa viver hoje com um ambiente de
regras de 'corporate governance' mais duro do que nos
EUA, não só em termos legais como institucionais",
refere-nos Lucier. Inclusive a separação
de papéis entre CEO e Presidente do Conselho
de Administração é hoje mais frequente
na Europa do que nos EUA e, por isso, a situação
dos CEO é mais "sensível". A
Europa tem, também, uma menor densidade de CEO
que sejam empreendedores-fundadores dos grandes grupos;
daí a maior longevidade nos EUA, justifica o
responsável da BAH.
Pesca furtiva
O estudo surpreende, ainda, por algumas recomendações
sobre o que resulta ou não em termos de critérios
de escolha de um novo CEO. Uma das revelações
é que o número de CEO "roubados"
aos vizinhos está a aumentar a olhos vistos,
particularmente desde 2004. A Europa leva a dianteira
nessa prática que o estudo alcunha de "pesca
furtiva". Ora os resultados dessa mobilidade parecem
não ser satisfatórios. "O cenário
mais provável é que o CEO 'roubado' terá
uma performance pior que a média, além
de que gera uma inflação de custos para
todas as partes e conduz a uma disrupção
desnecessária com um efeito negativo a nível
regional ou mesmo nacional. É um jogo de perdas
para ambas as partes", sublinha Chuck Lucier.
No entanto recrutar o CEO fora dos quadros da empresa,
escolher um "outsider", pode ser benéfico
se for pensado por um período de "choque",
limitado no mandato, de não mais de cinco anos.
Diz Lucier: "Cinco anos chega bem para o novo CEO
fazer o que tem de fazer. Veja-se o caso de Carlos Ghosn
na Nissan. Convém, por isso, planear, logo desde
o início, a sua substituição para
o final do mandato". E, ao contrário de
todas as expectativas, recrutar esse "outsider"
por ter toda uma experiência anterior de CEO "não
é garantia de nada". Os contextos são,
sempre, diferentes, e um excelente CEO num sítio
não é necessariamente bom noutro, independentemente
das medalhas ao peito. O estudo é mesmo contundente:
"Os presumíveis benefícios de recrutar
alguém só porque mostra credenciais de
experiência de CEO é uma miragem".
Finalmente, há uma recomendação
para fechar com ouro. Uma tentação corrente
deve ser evitada: "chutar" para cima, para
presidente o CEO de que nos queremos livrar e escolher
um seu "braço direito" para o substituir.
A "performance" acabará por pagar a
factura.
QUADROS
Sucessões dos CEO (% de casos na década)
| | 1995 | 2005 | Ano de Pico |
|---|
| América do Norte | 10,5 | 16,2 | 2000 |
| Europa | 3,2 | 15,3 | 2004 |
| Global | 9 | 15,3 | 2005 |
Fonte: Booz Allen & Hamilton, Strategy + Business, Summer 2006 |
Despedidos por má "performance" (%
de casos na década)
| | 1995 | 2005 | Ano de Pico |
|---|
| América do Norte | 1% | 6% | 2005 |
| Europa | 1% | 6% | 2004 |
| Global | 1% | 5% | 2005 |
| Fonte: Idem |
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