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"O teletrabalho não está no ADN, tem de ser ensinado"

Qual é a principal diferença entre o teletrabalho e a telecomutação, dos anos 70 e 80, e o actual ambiente de tecnologias relacionais, com a explosão da Internet, das "intranets", e das tecnologias interactivas em geral?

JACK NILLES - A tecnologia já não era uma barreira em 1973, mas era uma desculpa frequente da parte de potenciais telegestores para não embarcarem no teletrabalho. Agora, as pessoas estão a ficar tão familiarizadas no dia-a-dia com a interactividade electrónica, que a tecnologia já é raramente mencionada como barreira. Com a Internet, as promessas de acesso vão ser tão grandes que é bem provável que, daqui a uma década ou duas, o termo "teletrabalho" deixe de ter grande utilidade - será apenas a forma normal de trabalhar.

Mas, será o fim da organização e a morte da gestão?

J.N. - De modo algum! O teletrabalho torna os bons gestores ainda melhores e obriga os gestores assim-assim a serem bons. É importante ter em conta que a maioria do teletrabalho é "part-time"; no resto do tempo de trabalho, as pessoas precisam de interacção face-a-face formal ou informal. Do que eles não precisam é das constantes interrupções que ocorrem no escritório típico, ou do stress motivado pela necessidade de chegar ao trabalho no dia-a-dia. Mas, o papel do telegestor coloca a ênfase na liderança, mais do que no administrativismo e no policiamento. Naturalmente que as organizações também mudam em consequência do teletrabalho (ou o teletrabalho é adoptado como resultado de algumas mudanças organizacionais), mas não desaparecem. A palavra-chave agora é flexibilidade.

Melhor ponto de partida

Será que o teletrabalho é também uma real oportunidade pessoal perante o desemprego, nos anos actuais de transição?

J.N. - Aqueles de nós que têm experiência e competências "vendáveis" e que são adeptos do teletrabalho, certamente que têm um melhor ponto de partida para se adaptarem às mudanças no mercado de trabalho. A localização da casa de cada um tornar-se-á menos importante em relação ao "local" do emprego. Além disso, espero ver novas formas de trabalho que brotarão das redes, como por exemplo da Internet.

Qual é a chave de sucesso para um projecto de teletrabalho? E quais as principais armadilhas que há que evitar?

J.N. - O meu Guia de 1994 ("Making Telecommuting Happen") aborda todas essas regras e ratoeiras. Mas, a chave é esta: primeiro, os gestores e o sistema de remunerações têm de estar focalizados nos resultados do trabalho, mais do que no processo de produção utilizado. Depois, todos os envolvidos devem ser voluntários. Terceiro, nem todos os empregos, nem toda a gente consegue teletrabalhar, a selecção é importante (como desenvolvo no meu Guia). Por último, a capacidade em teletrabalhar não está inscrita nos nossos genes, tem de ser ensinada. Por isso, a formação, particularmente, dos telegestores é fundamental.

 
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