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O Mercado Comum do Ocidente
A proposta de uns Estados Unidos
do Ocidente (um acordo entre a União Europeia
com os Estados Unidos contra os emergentes) por um especialista
alemão - Gabor Steingart. Uma ideia que está
a levantar muita polémica entre os atlantistas
e os defensores de uma autonomia estratégica
da Europa. E entre os globalistas e os defensores de
um cordão sanitário contra os emergentes
Jorge
Nascimento Rodrigues,
editor de Gurusonline.tv, Janeiro 2007
O LIVRO QUE LANÇOU A POLÉMICA
A Guerra Mundial pela Riqueza: O açambarcamento
global ao Poder e à Prosperidade (tradução
do título)
Gabor Steingart
384 Páginas
Piper-Verlag, Munique, 2006
O livro, por enquanto, só está publicado
em alemão. Gabor gostaria de intitular, ironicamente,
a próxima versão inglesa como uma resposta
ao livro de Thomas Friedman ('O Mundo é Plano').
A sua escolha seria: 'O Mundo é torto. A verdadeira
história da globalização'.
Para um púbico internacional, o jornal Spiegel
- onde Gabor é editor, sediado em Berlim - publicou,
na sua edição internacional na web, um
conjunto de extractos em inglês sobre os temas
mais polémicos, que podem ser consultados em:
www.spiegel.de/international/0,1518,k-6997,00.html
O mundo ficou, de novo, "enviesado". A globalização
- a benemérita do tal mundo "plano"
- trouxe uma surpresa envenenada: "o Ocidente está
sob ataque", clama o especialista alemão
Gabor Steingart, um berlinense de 44 anos, no seu livro
mais recente, sugestivamente intitulado 'A Guerra Mundial
pela Riqueza', a que acrescentou esta frase lapidar:
'O açambarcamento global ao Poder e à
Prosperidade'.
Os novos 'açambarcadores' são os grandes
emergentes. À cabeça deles, a China. Este
novo "milagre asiático" - distinto
da emergência do Japão e dos "tigres"
asiáticos dos anos 1970 a 1990 -, está
a afectar os equilíbrios geoeconómicos
e geopolíticos. "Na disputa global pela
riqueza, a Ásia está, de novo, ao ataque,
e usando métodos brutais. Os homens de negócio
orientais são provavelmente os 'conquistadores'
mais simpáticos que o mundo já viu",
exclama, com toda a crueza, o autor.
As térmitas ao ataque
Gabor, um editor da revista Der Spiegel, acompanhou,
ao longo dos anos, os vários chefes do governo
alemão nas visitas à China, e diz que
"sentiu" claramente a mudança. O analista
alemão cognomina as novas potências emergentes
da Ásia - China e Índia - como "térmitas"
(formigas-brancas, uma espécie mais próxima
das baratas do que das formigas negras ou castanhas,
a que estamos habituados) que provocarão imensos
estragos. O resultado é óbvio: "A
ascensão da Ásia será a queda do
Ocidente. A não ser que o Ocidente ultrapasse
os seus escrúpulos e defenda os seus interesses",
remata o autor num dos capítulos do livro, que
está a provocar algum furor no debate entre o
atlantismo e a autonomia geoestratégica da Europa.
"A ascensão da Ásia será
a queda do Ocidente. A não ser que o Ocidente
ultrapasse os seus escrúpulos e defenda os seus
interesses"
Não encontra, por isso, outro antídoto
senão uma proposta radical: a criação
de um mercado comum entre os espaços da América
do Norte e da União Europeia. "Esta zona
de comércio livre transatlântica é
poderosíssima, pois dentro das suas fronteiras
está 60% do produto mundial. Todas as nações
deste espaço são capazes de defender os
seus valores, os seus padrões sociais, o seu
estilo de vida e de produzir, a sua ideia de proteger
o ambiente, a sua vontade firme em defender a meninice
das nossas crianças e o seu direito a estudarem
em vez de terem de trabalhar", diz-nos Gabor. Seria
também um "sinal" político claro
para todo o mundo (ver Perguntas a).
Os fanáticos da globalização
Não fala formalmente de uma "superfortaleza"
envolta em proteccionismo comercial, mas face aos "fanáticos
da globalização" (essa espécie
vulgar dos consumidores e das grandes superfícies
sempre à procura do mais barato), há que
fazer uma pedagogia de controlo, pois eles estão
a ser os "coveiros" de si próprios.
Explica-nos Gabor: "As fronteiras [deste mercado
comum do Ocidente] não são muralhas, mas
pontos de controlo. Todos os produtos que venham do
Extremo Oriente são bem vindos, mas quem não
respeitar a nossa propriedade intelectual deverá
ser punido. O trabalho infantil também ter de
ser banido. Em cada produto, o fabricante tem de especificar
como o produto foi feito - nas suas dimensões
social e ambiental".
Considera que o tempo urge, antes que os frutos podres
da globalização no Ocidente - o crescimento
de um "lumpenproletariado" nos países
desenvolvidos, filho da deslocalização,
e o empobrecimento de grandes camadas da classe média
- não "enfraqueçam a nossa democracia".
"Temos tido sorte em que as nossas falhas económicas
ainda não tenham alastrado para o terreno político.
Mas por quanto mais tempo?", deixou-nos como interrogação
nesta entrevista.
Entrevista Rápida a Gabor Steingart
Autor de 'Weltkrieg um Wohlstand' (A
Guerra Mundial pela Riqueza)
P: Trata-se de uma resposta política há
ideia de uns 'Estados Unidos da Europa'?
R: Não escrevo contra isso. Falo de uns Estados
Unidos do Ocidente. Estamos tão interligados
que devemos reforçar os nossos laços num
mundo em que o Ocidente está sob ataque.
P: Mas tal proposta não irá acelerar
a divisão do mundo em dois blocos - o Ocidente
e os outros, particularmente os emergentes?
R: A NATO foi criada para a defesa durante a Guerra
Fria. Agora precisamos de uma nova NATO, para as economias
ocidentais, que pode ser uma zona de comércio
livre transatlântica, uma TAFTA. Toda a gente
à volta do mundo entenderá a mensagem:
que os Governos do Ocidente deixarão de gerir
o declínio e começarão a reagir.
P: Como surgiu a ideia de escrever este livro?
R: Viajei para a China com vários "chanceleres"
alemães - com Kohl, Schroder e com Merkel. Toda
a gente pôde sentir que a História tem
estado a ser escrita. Percebi que este milagre asiático
vai afectar o nosso modo de vida ocidental. Decidi investigar
mais este assunto.
P: Qual foi a reacção que mais o espantou?
R: Uma série de economistas e de políticos,
à volta do mundo, mostraram interesse pela minha
tese. Em Janeiro vou estar em Washington e Nova Iorque
para apresentar o livro. Mas, a reacção
mais surpreendente veio de Seul, na Coreia do Sul. Tive
uma reunião confidencial para discutir o conteúdo
do livro e, em particular, a questão da China.
Aprendi imenso sobre os receios das nações
asiáticas mais pequenas face à sombra
do novo "master" do universo.
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