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A Revolta dos Fornecedores
Os subcontratados em "outsourcing"
subiram na cadeia de valor e transformaram-se em concorrentes
temíveis das grandes marcas
'Os mais esfomeados começaram
a morder a mão de quem lhes deu de comer'.
Jorge
Nascimento Rodrigues,
editor de Gurusonline.tv, com o galego Xosé
H. Vasquez, Outubro 2006
Sítio
de Xosé H. Vasquez
Artigo
"When your contact manufacturer becomes your competitor"
(Harvard Business Review, Setembro 2006)
Artigo
anterior: "Contract Manufacturing: tiene futuro
la empresa industrial?"
(Universia Business Review, número
1, 1º trimestre de 2004)
Fabricantes outrora desconhecidos de computadores e
telemóveis contratados pelas grande marcas acabaram
´comendo´ uma parte do negócio e
adquirindo parcelas dos próprios activos das
multinacionais "ocidentais". Os casos mais
mediáticos na área das tecnologias foram
em 2005 o passo dado pela Lenovo chinesa, com a aquisição
da divisão de PC da IBM norte-americana, e pela
BenQ de Taiwan, que adquiriu a área de telemóveis
da Siemens alemã.
Esta 'vingança' dos fornecedores subcontratados
em "outsourcing" pelas poderosas multinacionais
do OEM (acrónimo em inglês para fabricantes
de equipamento original) está a provocar uma
vaga de estudos académicos sobre as razões
que conduziram a esta situação aparentemente
paradoxal.
No coração do que se passou com as multinacionais
está o uso e abuso da recomendação
estratégica dos gurus Gary Hamel e C.K. Prahalad
em 1990 para que as empresas se refocalizassem nas suas
"competências nucleares". Gerou-se,
então, uma doutrina para que as marcas se centrassem
em actividades de maior valor acrescentado (I&D,
design, marketing, vendas, velocidade e serviço),
largando o resto para subcontratados especializados,
em particular nos países emergentes.
Um melodrama globalizante
O efeito desta vaga está hoje à vista,
reclama Xosé H. Vásquez, um académico
galego da Faculdade de Economia e Administração
de Empresas da Universidade de Vigo, que acabou de ver
publicados os resultados da sua investigação
na prestigiada revista Harvard Business Review (edição
de Setembro de 2006). Xosé e o seu colega catalão
Benito Arruñada (da Universidade Pompeu Fabra,
de Barcelona) intitularam o artigo sugestivamente 'Quando
o seu fabricante contratado se torna seu concorrente?',
mas o editor americano da revista acrescentou em destaque
uma imagem mais rude: 'Os mais esfomeados começaram
a morder a mão de quem lhes deu de comer'.
O que ocorreu entretanto, nos últimos dez ou
quinze anos, ostenta bem os dois lados da moeda "globalizadora":
de um lado, a falta de cuidado de algumas multinacionais
no que 'largaram' para a subcontratação;
e, de outro, a oportunidade de migração
na cadeia de valor e de expansão internacional
que os subcontratados aproveitaram. O que se gerou,
nas próprias palavras de Xosé, foi "um
melodrama repleto de promiscuidade, infidelidades e
traições" por parte dos subcontratados.
Mas Xosé não crê, contudo, que
o tempo possa voltar para trás - quando as marcas
controlavam uma integração vertical completa.
"É hoje assumido que os fabricantes originais
devem apenas manter fábricas para novos produtos
ou de alta qualidade ou para prototipagem - como faz,
por exemplo, a Cisco", diz-nos o professor galego,
que acrescenta: "Neste casos, não estão
em jogo economias de escala, e há, por outro
lado, um risco real de perder direitos de propriedade
intelectual importantes".
Xosé H. Vasquez advoga, por isso, um menu de
cuidados a ter pelas marcas (ver caixa).
5 CUIDADOS
· Atenção ao que
subcontrata: «Processos que sejam parte das
competências centrais ou que envolvem activos
críticos não devem ser de modo nenhum
colocados em "outsourcing"»
· Atenção a quando
deverá subcontratar: «A Sony-Ericsson,
por exemplo, só subcontrata quando os seus
dispositivos deixam de ser novidade»
· Atenção às
alianças estratégicas: «Só
valem a pena numa situação - para
produtos que envolvam um certo grau de qualidade
ou aspectos inovadores. Para produtos genéricos
ou "commodities" são inúteis»
· Aproveite bem a sua propriedade
intelectual para entrar numa estratégia de
diversificação relacionada que troque
as voltas aos seus subcontratados-concorrentes:
«O excedente de propriedade intelectual existente
ou o conhecimento incidental acumulado na sua empresa
podem ser explorados para a entrada em novos mercados
relacionados ou em áreas tecnológicas
afins»
· Alavanque os próprios
subcontratados 'parasitando' o saber e portefólio
deles: «Use os próprios fabricantes
contratados para entrar em novos mercados» |
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